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O Que É Todes Entenda Essa Palavra Inclusiva e Seu Uso Correto

Todes é um neopronome neutro que busca incluir pessoas não-binárias, ou seja, que não se identificam exclusivamente como homem ou mulher. Essa palavra surge como uma alternativa ao uso do masculino genérico, como em “todos”, que tradicionalmente engloba grupos mistos na língua portuguesa, mas que pode gerar uma sensação de exclusão para muitas pessoas. O debate sobre linguagem inclusiva vai muito além de uma simples troca de letras; ele reflete um movimento social por mais representatividade e respeito à diversidade de identidades de gênero.

A língua é um organismo vivo, que se molda e evolui com a sociedade que a utiliza. Pense em palavras que seus avós usavam e que hoje soam estranhas, ou em gírias que surgiram com a internet. A incorporação de termos como “todes” faz parte desse mesmo processo dinâmico. Trata-se de uma tentativa de tornar a comunicação um espaço mais acolhedor, onde cada indivíduo se sinta visto e validado em sua identidade. Ao entender seu propósito, a palavra deixa de ser um mistério gramatical e se transforma em uma poderosa ferramenta de empatia.

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Por que a língua portuguesa precisa de uma alternativa neutra?

Imagine que você está organizando uma festa e envia um convite dizendo: “Caros amigos, todos vocês estão convidados!”. Se nesse grupo houver mulheres, pessoas não-binárias e homens, o uso de “amigos” e “todos” segue a regra gramatical do masculino genérico. A gramática normativa do português dita que, na presença de um elemento masculino, toda a concordância deve ser feita no masculino. Essa regra, embora tradicional, cria uma hierarquia linguística onde o masculino se torna o padrão universal, invisibilizando outras identidades.

O masculino genérico e suas limitações

O uso do masculino como “neutro” é uma convenção, não uma lei imutável da natureza. Durante séculos, essa estrutura funcionou em uma sociedade com papéis de gênero rigidamente definidos. Contudo, à medida que a compreensão sobre a diversidade humana se expande, a linguagem precisa acompanhar. Manter o masculino como padrão pode reforçar, mesmo que de forma inconsciente, a ideia de que o homem é a figura central e os demais são “exceções” ou “variações”. A busca por alternativas como todes é uma resposta direta a essa limitação, propondo uma forma de se referir a um grupo de pessoas sem privilegiar um gênero em detrimento de outros.

A evolução da linguagem: um espelho da sociedade

A linguagem não apenas descreve o mundo; ela também o constrói. As palavras que escolhemos têm o poder de incluir ou excluir. A adoção de uma linguagem mais inclusiva não é sobre “estragar o português”, mas sim sobre adaptá-lo para que ele reflita melhor a realidade diversa em que vivemos. É um processo semelhante à abolição de termos pejorativos que, no passado, eram de uso comum. A mudança acontece porque a consciência social muda. Usar “todes” é, portanto, um ato comunicativo que sinaliza respeito e reconhecimento da existência de pessoas para além do binário homem/mulher.

o que é todes

Além de “todes”: conhecendo o sistema elu/delu

Embora “todes” seja a forma mais conhecida, ela é apenas a ponta do iceberg da linguagem neutra. Para uma comunicação verdadeiramente inclusiva, foi desenvolvido um sistema de pronomes mais completo, conhecido como “sistema elu/delu”. Ele oferece alternativas para uma variedade de pronomes e contrações que, no português padrão, são marcados por gênero. Pense nele como um “kit de expansão” para o idioma, que adiciona novas ferramentas para uma comunicação mais precisa e respeitosa.

Pronomes pessoais e possessivos neutros

O sistema elu/delu funciona de maneira bastante intuitiva, substituindo as vogais “a” e “e” (que marcam feminino e masculino em pronomes como “ela” e “ele”) pela vogal “u”. A lógica se estende a outras palavras relacionadas.

Aqui está uma pequena cola para entender as substituições mais comuns:

  • Pronome pessoal: Em vez de “ele” ou “ela”, usa-se elu. (Ex: “Elu chegou cedo na reunião.”)
  • Pronome possessivo: Em vez de “dele” ou “dela”, usa-se delu. (Ex: “Este livro é delu.”)
  • Contrações: “Nele” ou “nela” se tornam nelu. “Neste” ou “nesta” se tornam nestu. “Aquele” ou “aquela” se tornam aquelu.

Essa estrutura permite construir frases completas de forma neutra, indo além do simples vocativo “todes”.

Dicas para se acostumar com o uso

Adotar novas formas de falar pode parecer desafiador no início, como aprender a dirigir um carro com câmbio manual depois de anos no automático. O cérebro precisa criar novas conexões. Felizmente, algumas práticas podem acelerar esse processo de adaptação.

  • Pratique em voz baixa: Tente reformular frases do seu dia a dia usando os pronomes neutros. Falar sozinho ou com amigos próximos que entendam o processo ajuda a internalizar as novas palavras sem a pressão do julgamento.
  • Siga criadores de conteúdo não-binários: A exposição constante é a chave para a normalização. Ao ouvir e ler a linguagem neutra sendo usada de forma natural, seu cérebro começa a processá-la com mais facilidade.
  • Não tenha medo de errar: Ninguém nasce sabendo. Se você errar o pronome de alguém, simplesmente peça desculpas, corrija-se e siga em frente. A intenção de acertar e o respeito demonstrado são muito mais importantes do que a perfeição imediata.
  • Pergunte sempre: Na dúvida, a melhor abordagem é perguntar. “Quais pronomes você usa?” é uma pergunta simples, direta e que demonstra um imenso respeito pela identidade da outra pessoa.

Entender e utilizar a linguagem inclusiva é um exercício contínuo de empatia. Não se trata de decorar regras, mas de abrir a mente para novas formas de ver e nomear o mundo, garantindo que a sua comunicação seja uma ponte, e não um muro.

Agora que você desvendou o universo da linguagem inclusiva, que tal colocar esse conhecimento em prática e continuar aprendendo? Explore outros temas fascinantes em nosso portal e continue expandindo seus horizontes comunicativos